sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vejam o que aconteceu no Encontro em SP by Joyce Matsushita


No último sábado, dia 27, aconteceu em São Paulo o Encontro, evento organizado pela assessora, jornalista e dona da primeira agência de comunicação especializada em Plus Size Joyce Matsushita. No evento estiveram reunidas modelos profissionais, modelos iniciantes, comunicadoras e empresárias da moda plus size brasileira.

Joyce é ex empresária de Fluvia Lacerda e batalhou com a mesma por 8 anos para trazer e especializar a moda plus size no Brasil. Ela não está mais com a Fluvia, pois agora ela quer dedicar-se totalmente às mulheres com tamanho GG. 


Conversei com ela sobre o Encontro e seu trabalho. Meninas!!!! Vejam abaixo as coisas boas que estão por vir:


Como surgiu o Encontro?
Joyce: A ideia de realizar este Encontro começou com vários convites que eu recebia por e-mail e inbox no Facebook para tomar café com modelos e new faces, fotógrafos e demais prestadores de serviço desse setor. Todos queriam saber minha opinião sobre o mercado e um direcionamento em suas carreiras. Sempre priorizei esse contato mais direto com as pessoas, uma forma de sentir o mercado, de poder ajudar e também lidar com as frustrações de quem hoje faz parte dele. Então, como não conseguia arranjar um tempinho para tomar um café individualmente com cada um, tive a ideia de juntar todos os interessados no setor para uma tarde produtiva e um grande bate papo. Além disso, queria enfatizar o meu posicionamento de que o mercado precisa se profissionalizar o mais rápido possível e deixar o amadorismo de lado. Esse foi o objetivo principal: motivar as pessoas para que lutem por essa profissionalização e que, juntos, possamos iniciar essa Evolução no segmento plus size.


Fale-me um pouco de você:

Joyce: Sou jornalista, assessora de imprensa, consultora de moda e imagem, produtora e organizadora de eventos, sou diretora-executiva da Making Off Comunicação Estratégica, a primeira assessoria de imprensa especializada no segmento plus size e fui empresária da modelo Fluvia Lacerda por quase 8 anos. Na verdade, iniciamos juntas a abertura desse mercado no Brasil. Hoje, estou juntando um pouco do conhecimento que adquiri de cada área para traçar estratégias para o setor plus size e trabalhar em prol da sua profissionalização. Acho que é o que todos querem e precisam, mas uma briga que ninguém quis comprar até hoje. Vejo que muitas pessoas vislumbram a chance de um lucro imediato, sem se preocupar com a saúde do mercado. E é aí que mora o grande erro. Penso no futuro e quero contribuir para que todos possam desfrutar de oportunidades dentro desse mercado a longo prazo e, o mais importante, que o plus size seja reconhecido pelo mundo da moda, se livrando de vez do rótulo de amador.


Suas espectativas sobre o mercado plus size:


Joyce: Ano passado tive que tomar uma decisão muito difícil: depois de quase 8 anos não ser mais a empresária da Fluvia Lacerda e me dedicar de corpo e alma ao mercado plus size e aos profissionais que o representam. Sabe, me dói saber que as pessoas não veem o mercado com bons olhos. Conheço muitos empresários, produtores de moda, fotógrafos e editores de grandes veículos que não acreditam no segmento e ainda riem do nosso amadorismo. E desde que abracei o plus size em meu coração, decidi que precisava fazer alguma coisa para mudar esse cenário, afinal, eu quero um dia me orgulhar de fazer parte dele. Recebo e-mails de meninas do Brasil inteiro contando suas histórias e como essa carência de oferta de moda afeta, e muito, suas vidas. E como poderia não me preocupar com outro ser humano que só quer uma oportunidade de se sentir mulher, amada, desejada, feliz com o seu corpo e que possa expressar sua personalidade e sentimentos através da escolha de uma simples peça de roupa? É algo inaceitável porque isso causa um bloqueio psicológico, traumas e pode até desencadear outros transtornos. Quando me dei conta disso tudo e de tamanho sofrimento, decidi mudar não só a minha vida, mas todos os meus projetos de vida. Agora, todo o meu presente e futuro serão voltados ao mercado plus size. E não me importa se demore 10 anos, vou trabalhar arduamente para que essa profissionalização aconteça, mas de uma forma limpa e justa. Nada se constrói sem respeito, generosidade, parcerias, dignidade e o principal: sem amor.

A nossa Amanda Alada
E os seus projetos...


Joyce: Há 4 anos venho elaborando e aperfeiçoando projetos específicos para o setor e todos serão focados na profissionalização do mercado, dos profissionais que integram esse setor, nas marcas e nos comunicadores (blogs e sites). Um bom projeto leva tempo mesmo para amadurecer e ganhar a seriedade necessária, encontrar os parceiros certos que compram a sua ideia e decidem entrar de cabeça. Queria pessoas engajadas e que tivessem o mesmo brilho nos olhos que eu tenho quando falo sobre o setor e a sua necessidade de profissionalização. Porque alguém que não compra de verdade a causa, facilmente vai desistir logo nos primeiros entraves. E o que eu sempre quis e vou fazer é uma evolução sustentável e o resgate de valores como generosidade e respeito. Sem esses pilares, hoje tão esquecidos, não podemos construir nada sólido e que ajude centenas de pessoas.

O início de tudo:


Joyce: Quando trouxe o assunto plus size para o Brasil (e quem conhece a minha história sabe bem como a trajetória foi difícil) ninguém acreditava no segmento GG. Tive que usar todo o meu expertise em comunicação para inovar e criar um mercado sem rótulos. Por isso, decidi que o GG precisava dar espaço a algo novo e a chance de começar a criar uma reputação do zero, daí surgiu minha ideia de lançar o “plus size”, termo nunca usado antes por aqui. E o plus size trouxe o resgate da autoestima, da aceitação, de uma mulher feliz com o próprio corpo, mas insatisfeita com a falta de oferta de moda. Vale lembrar: o mercado GG sempre existiu, mas nunca ofereceu moda para as consumidoras, que até então desconheciam também essa possibilidade de poder escolher o que vestir e não só usar o que estava disponível. No começo, abrir espaço na mídia foi penoso porque não havia um modelo a ser seguido e tive que criar a própria estratégia. Claro que levei todos os nãos possíveis, né!? Mas nunca desisti. Ficava horas conversando com jornalistas na tentativa de abrir suas mentes para algo novo e mostrar um mercado em potencial. Até que alguns começaram a se abrir e depois outro e outro. Em menos de um ano já tinha conseguido espaço nos veículos mais importantes do Brasil. No auge, quando o assunto virou febre, muitas pessoas começaram a surgir e figurar nas matérias, mas não priorizando a qualidade e respeito que eu e Fluvia tínhamos como essencial. Tudo o que mostrávamos como referência de beleza, em poucos meses era banalizada com trabalhos mal feitos. E isso começou a afetar a imagem do segmento plus size, que tínhamos criado a muito custo. Porque as pessoas não entendem que não é a quantidade de matérias ou entrevistas que você dá que te torna uma referência, mas a qualidade do que você fala e apresenta. Para ter uma ideia, rejeitei muitas entrevistas porque não levariam ao público final a seriedade do trabalho e do mercado que queríamos mostrar. Mas fazer o que, agora é trabalhar novamente para tirar esse rótulo de amadorismo e profissionalizar o setor. Parece minha sina, não? Risos...


O que você acha do rumo que o mercado plus está levando?


Joyce: Olha, é um sentimento horrível você querer mostrar que é possível fazer algo bonito e muita gente não estar nem aí para a qualidade. Às vezes, lendo matérias ou assistindo a alguns programas de TV, eu quase arranco os meus cabelos... risos... me pergunto: como as pessoas se sujeitam a isso? Como permitem que suas imagens sejam exploradas de tal forma? É algo revoltante, sabe... porque na minha cabeça passa um filme de toda a luta que tive para iniciar tudo isso e todo potencial que o mercado tinha para ser, a inovação que poderia trazer para a indústria da moda e como poderia ressaltar a beleza dessas mulheres, até então esquecidas pela sociedade. E quando vejo que nada disso aconteceu, que, pelo contrário, como passamos a ser motivo de piada e de não conseguirmos inspirar nada nem ninguém é algo que me destrói por dentro. Então, o Encontro foi uma maneira de dizer CHEGA. Que essa vergonha e revolta não deve ser só minha, mas que todos precisam participar dessa evolução para que as coisas mudem. Minha prioridade neste momento é sim de recrutar mais e mais pessoas que acreditam na beleza do plus size e que querem verdadeiramente viver disso e, sobretudo, se orgulhar de fazer parte dele. Agora, essa luta não é mais só minha. E fiquei muito surpresa e feliz que todas as meninas que estiveram no evento compraram essa ideia, acreditaram nas minhas intenções e querem fazer parte disso tudo. A verdade é que o mercado plus size não é meu, nem de fulano ou ciclano. Por isso, é hora de todos trabalharmos juntos porque ninguém consegue mudar nada sozinho. E o meu papel será de buscar a profissionalização e qualificação do setor e das pessoas dentro dele.


E sobre as agências de modelos plus existentes, o que você acha de seus trabalhos?


Joyce: Tenho estudado muito as agências de modelos plus que existem por aqui e acho incrível nenhuma delas ou poucas darem treinamento ou investir na carreira das meninas. Isso ainda me choca porque em qualquer empresa, pequena, média ou grande, é natural investir na profissionalização do funcionário, treiná-lo para o trabalho, mostrar o que deve fazer e como fazer. Por que deveria ser diferente numa agência? E essa falta de treinamento reflete em todo o setor, um verdadeiro efeito cascata: a modelo que não sabe o que faz não pode cobrar um cachê digno das marcas. Essas pagam pouco e consequentemente terão um catálogo ou campanha amadora (reflexo de uma modelo inexperiente). E essa campanha mal feita sairá na mídia representando o mercado plus size. E sabe qual o final da história? A imagem do setor fica atrelada a fotos feias, mal produzidas e amadoras. Outra questão também importante é que venderam uma ideia de que todas as meninas com manequins maiores podem ser modelos. E me pergunto: de onde tiraram isso? Quer dizer, não existe nenhum critério para ser modelo? Só aqui no Brasil, né!? O fato é que nem todo mundo nasceu para ser modelo e nunca chegará a ser. É duro ouvir isso, mas quem disse que todo mundo nasceu para ser médico, jornalista, jogador de futebol, cantor ou ator? Existe sim um padrão e o que chamamos de talento e vocação. Muitas coisas podem ser aprendidas sim, mas o diferencial está naquilo que não é ensinável, o que cada pessoa traz consigo e é isso que faz a sua estrelinha brilhar. Acho uma tremenda irresponsabilidade alimentar esse sonho no coração de todas as meninas porque nem todas vão chegar lá, nem todas vão estampar capas de revistas ou vão ter uma carreira internacional. Dentre centenas de modelos magrinhas, só existe uma Gisele Bundchen, não é? Isso é algo que precisa parar porque estamos lidando com sonhos e, pior, alimentando sonhos que podem nunca se concretizar. E isso causa sim uma enorme frustração.

 A nossa primeira Miss Plus Size Brasileira Tatiana Gaião (a do meio de vestido preto com bolinhas brancas)

Quais as espectativas e idéias compartilhadas no Encontro pelas convidadas em relação ao mercado plus size?

Joyce: As pessoas estão cansadas de tanto amadorismo, porém também se sentem perdidas, sem saber para onde ir ou o que podem fazer. Então, é esse direcionamento que quero mostrar, como podemos nos unir e lutar por um mercado melhor e mais profissional. Mas não se trata de um passe de mágica. Leva tempo mudar a visão das pessoas e seus comportamentos. E nessa luta, muitas pessoas vão optar também por continuar onde estão porque é cômodo querer ganhar o pão de cada dia sem pensar na saúde do mercado como um todo. O que vamos fazer é plantar essa sementinha chamada evolução ou revolução do mercado plus size. Daremos suporte, orientação e ferramentas, mas será dever de todos os interessados deixar que esse sentimento floresça e que dê bons frutos. Mas os resultados só virão através de esforço e trabalho árduo de cada um. Sabe, estou muito ansiosa para contar a todos as novidades, projeto por projeto e qual a importância de cada um para o mercado. Mas aí coloco o pé no freio. Eu não tenho medo de concorrência ou de que as pessoas possam a vir copiar essas ideias. O meu medo é de copiá-las de forma errada e banalizarem tudo. Cada projeto foi muito bem pensado, estudado e estruturado. Entendo que um trabalho tão sério e com essa magnitude não pode nascer de atalhos, precisa estar maduro o suficiente para cumprir, de fato, o seu papel. Minha equipe e eu estamos trabalhando arduamente para finalizar os últimos detalhes. Sabemos que ninguém vive só de ideologia. E por isso muito em breve terão novidades.


Recado de Joyce para as participantes do Encontro:

Obrigada pela oportunidade de encontrar com vocês e poder conhecer um pouco mais sobre a história de cada uma, de seus desafios pessoais e o que pensam sobre o mercado plus size. Amo discussões inteligentes com pessoas que realmente se importam com o futuro do setor, que também querem, um dia, se orgulhar de fazer parte dele, assim como eu. Foi um dia muito especial na minha vida porque marcou o início de um novo momento. Não sei se chamarão de revolução ou evolução, mas quem se importa? O importante mesmo é que descobri que não estou mais sozinha nesse ideal. Vocês fazem parte disso e, de coração, agradeço por aceitarem esse desafio. "Espero que as recordações deste Encontro não parem de crescer".




Fotos Divulgação: Kelly Hato


Depoimento de  Mariah Silvestre, participante do evento, no blog Diário de Moda Plus Size.

”Sábado aconteceu um encontro super bacana voltado pra uma galera que está super afim de fazer o setor brasileiro de moda plus size cada vez melhor e mais profissional, na verdade, profissional de verdade! Percebam que eu usei a palavra "super" duas vezes. São pessoas com ideais e vontade de trabalhar pra crescer junto com este setor e fazer dele uma referencia boa!

E é obvio que eu estava lá!

Esse post é só pra dizer pra você que é apaixonada por moda e queria muito acreditar nesse setor, mas até hoje não o fez, que está pra acontecer uma verdadeira evolução no mercado. Você, que queria se dedicar a ele de forma mais séria e profissional, minha querida esse é momento de se fazer interessante! Estude, conheça pessoas, troque idéias, esteja pronta pra fazer crescer! Se prepare e acredite! Tem gente profissional apostando nisso e todo mundo que se profissionalizar de verdade e quiser fazer parte disso pode participar. Parceria é a palavra de ordem! Façamos, JUNTAS!
E vamos precisar de profissionais de todas as áreas e todo mundo precisa se especializar. Modelos, fotógrafos, profissionais de beleza, profissionais de mídia... Estudem! Eu estou correndo atrás, fazendo tudo que está ao meu alcance porque eu acredito!”



Eu também acredito!
É isso galera. Sempre falo que o mercado da moda plus é sério como qualquer outro mercado. Muitas meninas vêem a mim perguntando: “Como ser Modelo?” Eu respondo: “Se profissionalize, cuide do corpo e da alma, faça curso de modelo e manequim, cuide da imagem pessoal, faça book, leia sobre tudo o que está ligado à moda plus, procure uma agência. Com esses passos com certeza você crescerá!”.
Amei conversar com essa pessoa que tanto tem a ensinar, mostrar e acontecer.
Joyce, obrigada pela entrevista e carinho.

Bjinhos

Ana Paula Holanda





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